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Entrevista com pastores

 
 

Entrevista com Pr Jorge Linhares

Um pastor à moda antiga

Pastor Jorge Luiz Coelho Linhares, está no ministério há mais de 30 anos. é autor de mais de 130 livros, dentre eles o best-seller “Benção e Maldição”, que já foi traduzido para o inglês e espanhol. É teólogo, formado em Estudos Sociais e há 25 anos é presidente da Igreja Batista Getsêmani, em Belo Horizonte/MG. Presidia também o CPEMG (Conselho de Pastores do Estado de Minas Gerais), é vice-presidente do CIMEB (Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil), presidente da Associação de Escolas Cristãs de Minas Gerais e 2º vice-presidente do FENASP ( Fórum Evangélico Nacional de Ação Política e Social).

Mesmo em meio a tantos títulos importantes que fazem deste líder um reconhecido conferencista internacional, Pr. Jorge Linhares é o típico pastor de ovelhas, que faz questão de estar entre o povo e conhecer as ovelhas pelo nome.

Em entrevista dada exclusivamente à Revista Palavra nos dias de congresso “Comunhão, Louvor e Palavra”, realizado em outubro no estado de Connecticut, Linhares fala dos modismos que adentraram e movimentaram a igreja brasileira nos últimos anos e faz questão de compartilhar suas experiências como pastor congratulando a inicitiva de unidade entre os ministérios brasileiros nos Estados Unidos.


 

Como está o Brasil em termos espirituais?

O brasileiro é versátil, e nesta busca acabou permitindo com que tendências de fora e movimentos de origem internacional adentrassem em sua cultura. Éramos como um quintal, onde tudo o que era de fora, era jogado lá. Hoje estamos descobrindo a nossa real identidade. Somos mais maduros e seletivos. Éramos também um curral, ou seja, havia muita manipulação por parte de líderes religiosos. Antigamente alguns líderes comandavam suas congregações com rédeas, dizendo até em quem votar. Hoje a igreja age como ovelhas pensantes. O povo está mais maduro e aprendeu a ser submisso primeiro à palavra de Deus. A igreja está mais madura e está restaurando sua identidade. As pessoas lêem mais. A literatura está crescendo em qualidade e o louvor e adoração está cada vez mais brasileiro. O povo está mais exigente e quer ouvir e se alimentar da verdadeira palavra de Deus.


 

Qual é o perfil do real pastor de ovelhas?

Infelizmente, pastor tem sido mais um título do que uma função ou ministério. Mas, na verdade, pastoreio é ensino e sacerdócio. É se identificar com aquele que o chamou. É buscar ser igual ao mestre: Jesus ia à casa de pessoas feridas. Ele ia ao cemitério para consolar os que choravam. Jesus esteve em um casamento. Ele foi à casa de um homem rico. Ele esteve na casa do doente. Ele pregou na praça. Ele atendeu à prostituta. Ele atendeu ao pobre. Ele pôs a criança no colo. Ele não quis exaltação. Ele, mesmo ferido, estendeu a mão. Ele andou no meio do povo e suas ovelhas conheciam a sua voz. Ele sacrificou seus sonhos pelos sonhos de Deus. Ele é o nosso exemplo. Por isso, ser pastor não é título, é ministério. Mesmo com inúmeras decisões por semana, 200 novas pessoas recebendo a Cristo semanalmente e 200 novos batismos por mês na Getsêmani, eu estou consciente do meu chamado de pastor. As pessoas não estão a procura de um animador de auditório, elas querem amor e pastoreio.


 

Você acredita que muitos têm se confundido e transformado o púlpito da igreja em verdadeiros palcos?

O ser humano em sua origem pecaminosa tem a necessidade de estar no trono. O príncipe deste mundo não conseguiu e por isso tenta espalhar a mentira de que o homem irá conseguir tentando fazer o homem pensar que é o semi-deus. Alguns líderes mudam suas atitudes quando suas igrejas crescem, mas existem aqueles que não se deixam levar pelas aparências. Conheço homens aqui nos Estados Unidos e no Brasil que têm grandes ministérios e permanecem simples como antes. Também conheço aqueles que se engrandecem com o pouco que lhes foi dado, digo que estes foram picados pela mosca azul. Nós lideres devemos nos policiar constantemente, e ter uma igreja que ore por nós, pois todos estamos sujeitos isto.


 

Conforme algumas de suas ministrações, alguns líderes acabam perdendo sua identidade quando se deixam levar por “modismos”. Como então, discernir estes movimentos dentro da igreja?

Primeiro, os movimentos veem e passam. Segundo, a igreja não é laboratório. Laboratório trabalha com ratos, com cobaias. Já a igreja tem seus princípios. Ela é uma agência de adoradores e é mais do que um hospital, pois tem o potencial de cura, mas depois não manda o paciente embora. Ela é o corpo de Cristo. E é como uma orquestra. Nos ensaios cada instrumento é devidamente afinado, mas é no grande concerto onde todos tocam juntos que se nota se estão realmente preparados. Assim, se as igrejas permanecerem unidas, relacionando-se umas com as outras, os que estiverem desafinados com certeza serão facilmente percebidos.


 

A que você atribui estes modismos dentro da igreja atualmente? Esta busca pelo “novo” é devido ao fato de não se ter o alimento espiritual adequado?

Na maioria das vezes, os movimentos ou modismos dentro da igreja acontecem por líderes que estão em busca de novidades. A Bíblia nos ensina a andarmos em novidade de vida e não corrermos atrás de novidades. Muitos líderes se assemelham aos programas de televisão que andam em busca de novas tendências para manter a audiência, esquecendo-se do real motivo do nosso chamado, que é uma vida de adoração.

O que a igreja precisa é do alimento sólido, mas muitos têm sobrevivido com o supérfulo, se alimentando de McDonald’s espirituais e se tornando anêmicos. O essencial jamais pode ser substituído. Aquilo que precisamos e que somos não pode ser ignorado ou maquiado. Não há como esconder quem verdadeiramente somos. Podemos estar mal-nutridos ou vivendo debaixo de máscaras, mas uma hora demonstraremos a nossa fome e em algum momento teremos que lavar o rosto e reconhecer que o essencial é uma vida de comunhão com Deus.


 

Como orientar líderes e ovelhas que se frustraram ao longo do caminho?

Tenho encontrado, frequentemente, líderes que estão feridos por terem se deixado levar pelos modismos. A orientação que dou a eles é: - Voltem! O que sempre digo é que pastores feridos dever ser primeiramente tratados e curados para então voltarem a pastorear. Só assim formarão ovelhas saudáveis. A busca por relacionamentos com líderes que têm histórico de equilíbrio, é essencial. Outra orientação é não se isolar, mas participar de conselhos de pastores e buscar reuniões e congressos de estudo da palavra para uma reciclagem espiritual.


 

Como foi ministrar no Congresso “Comunhão, Louvor e Palavra”, onde seis igrejas e um veículo de comunicação se uniram por uma mesma causa?

Pr. Jorge Linhares - Fiquei feliz ao ver que alguém tomou a iniciativa para que isto acontecesse. Neste congresso eu não vi nenhuma fogueira de vaidades. Todos estavam querendo trabalhar. Percebi que até aqueles que poderiam estar em evidência, preferiram ficar na retaguarda sem a preocupação de destacar seus próprios ministérios. Vi que os pastores são amigos e sabem que Deus é aquele que dá a verdadeira honra.


 

Qual o segredo para liderar uma igreja com tantos membros e manter o perfil de pastor, no tradicional sentido da palavra?

O segredo é não querer fazer tudo. Atualmente eu conto com 126 líderes comigo no ministério. Cinquenta deles estão em tempo integral, distribuídos entre os diversos ministérios dentro da igreja. Eu acompanho os casos mais complicados, mas estes líderes são a resposta de Deus para que eu pudesse estar com a minha família, além de poder escrever livros e viajar para ministrar a palavra. Eu aprendi que Jesus nos enviou a fazer discípulos, mas os discípulos não são meus, são dEle. Aqueles que trabalham comigo não são meus discípulos, são meus amigos. Temos crescido em número e em maturidade.


 

Qual é o segredo de um ministério bem sucedido?

O segredo de um ministério bem sucedido está em o pastor continuar a ser gente e não tentar ser um super-man. O povo não espera um líder infalível, distante e inatingível, eles querem fazer parte de seus desafios e lutas e te ver acertar. O pastor não deve ter medo ou vergonha de pedir oração à igreja. O segredo é jamais perder a identidade e a humildade ensinada pelo Mestre.


 

Qual dos 136 livros já publicados é o mais marcante ao longo destes anos?

Dentre estas obras, 10 são atualmente “best-sellers”, mas o mais marcante foi o “Benção e Maldição”, depois “Águia e Galinha” e “Espírito de Miséria”, mas recentemente Deus me deu um livro que se chamou “Querem te matar, mas antes te adoecer”, pois para nosso inimigo, só valemos alguma coisa quando estamos doentes.



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